Set 042020
 

III

COMPANHEIRO
Deixa-me dizer-te.
Dizer-te, não falar-te.
Dizer-te por bandeira nas gaitas do alvorar.Se despontam as luzes, levaremos o mundo.
Os tempos são chegados,
e os sonhos por sonhar têm beira sem porta
e portos a abeirar.Deixa-me cantar-te.
Cantar-te, não chorar-te.
Cantar-te em voz de monte na terra do sol-pôr.

Pisaremos moedas, semearemos filhos,
renovaremos nomes na barca do amanhã.
Dir-te-ei na ilha, então, de ilhas errantes,
entre os passos a força, e um mundo por nascer.
Labrega, hei soterrar capitais como abono
e cultivar o amor, sem indústria, nem modos.
Deixa-me dizer-te, no teu nome de lar.

Aldrei, I. (2012) Sétimo andar (obra colectiva)

Miguel Alonso

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